Diario de una Gallega

Saturday, December 23, 2006

A falta que você me faz

Solidão é um estado raro. Um momento em que você sente que ninguém se importa, que ninguém compartilha sua dor, que ninguém quer ajudar. Não PODER ser ajudado é comum, mas não ter quem queira estender a mão é terrível. Aquele momento em que você sente que a sua dor é exclusiva, que à sua volta não há uma só criatura que a possa compreender.
Nessas horas... é melhor ler Fernando Pessoa ou ver um filme bem lindo, tipo O Carteiro e o Poeta, sabe? Porque, por mais que você telefone a um amigo ou ao seu pai, ele não vai entender, pode até mesmo estar às voltas com a própria dor e, sentindo-se isolado, pensar: ele não pode me ouvir, o que me importa a sua dor se a minha ele tampouco percebe?
As máscaras que usamos são difíceis de despir; desnudar-se diante de alguém com sua dor, com seus desejos mais secretos, quem tem coragem? E assim seguimos carregando nossas pequenas e grandes dores e eventual solidão.
No dia seguinte chega um telegrama, como cantaria Zeca Baleiro, melhor dizendo hoje em dia, chega um e-mail e desfaz um pouco as paranóias, alivia a dor, aproxima quem está longe. As palavras podem ser remédio, "pomadita pa los dolores".
De um jeito ou de outro, "sinta-se feliz, porque no mundo tem alguém que diz: que muito te ama, que tanto te ama, que muito te ama que tanto tanto te ama"; eu, por exemplo!

Feliz Natal!

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