Diario de una Gallega

Wednesday, December 27, 2006

Este ano

Aprendi a reaprender
Aprendi a necessidade vital de me reinventar
Aprendi que adoro experimentar, mas tenho medo de viciar
Aprendi como é difícil ser feliz
conformar-me
conviver
Aprendi que um Ray-Ban é o melhor disfarce
mas que o melhor mesmo é não precisar de disfarces
Aprendi que nem tudo é o que parece mesmo
e nem todo mundo é sincero e desinteressado, às vezes nem eu
Aprendi que rever, voltar, conservar matam a saudade
só que nem tudo se pode rever
Por isso aprendi a viver tudo, a viver todos
cada instante, cada loucura, cada passo ao lado de quem eu amo
E aprendi a me amar mais

Espero contar com vocês para continuar a aprender em 2007.
Feliz ano novo!

Saturday, December 23, 2006

A falta que você me faz

Solidão é um estado raro. Um momento em que você sente que ninguém se importa, que ninguém compartilha sua dor, que ninguém quer ajudar. Não PODER ser ajudado é comum, mas não ter quem queira estender a mão é terrível. Aquele momento em que você sente que a sua dor é exclusiva, que à sua volta não há uma só criatura que a possa compreender.
Nessas horas... é melhor ler Fernando Pessoa ou ver um filme bem lindo, tipo O Carteiro e o Poeta, sabe? Porque, por mais que você telefone a um amigo ou ao seu pai, ele não vai entender, pode até mesmo estar às voltas com a própria dor e, sentindo-se isolado, pensar: ele não pode me ouvir, o que me importa a sua dor se a minha ele tampouco percebe?
As máscaras que usamos são difíceis de despir; desnudar-se diante de alguém com sua dor, com seus desejos mais secretos, quem tem coragem? E assim seguimos carregando nossas pequenas e grandes dores e eventual solidão.
No dia seguinte chega um telegrama, como cantaria Zeca Baleiro, melhor dizendo hoje em dia, chega um e-mail e desfaz um pouco as paranóias, alivia a dor, aproxima quem está longe. As palavras podem ser remédio, "pomadita pa los dolores".
De um jeito ou de outro, "sinta-se feliz, porque no mundo tem alguém que diz: que muito te ama, que tanto te ama, que muito te ama que tanto tanto te ama"; eu, por exemplo!

Feliz Natal!

Wednesday, December 20, 2006

Último baile do ano


Penúltimo! Porque o Natal pode ser um Carnaval.

Sunday, December 17, 2006

Dorian Gray's mirror

minha imaginação às vezes vai além (dela mesma)
mas agora eu sei, finalmente eu entendi: sou só mais um espelho, espelho pro seu narcisismo
é frustrante, eu sei, patético
um simples texto, uma pequena frase, continham mais sabedoria do que o seu olhar refletindo a única coisa que você enxerga, a sua própria imagem, só
frustração passa, um dia sara, já a vaidade, essa não tem limites

Thursday, December 14, 2006

E viva a DASPU!

Correndo o risco de me acusarem de ter inveja dos ricos (invejo, não nego!), tenho que dizer que a Daslu é tudo o que há de pior.
Além de toda a ostentação que dispensa comentários, eu já implicava com ela desde sempre por não dar a mínima ao país e só vender produto importado, desprezando o talento de inúmeros estilistas brasileiros, por exemplo (lá se vende de tudo, mas só nas roupas ela poderia incentivar grandemente um mercado que só cresce e aparece aqui e lá fora).
A loja, um mercadão instalado sobre um terreno pantanoso à beira do esgoto: tudo muito bem disfarçado pelo luxo e pela cegueira dos ricos imbecis do Brasil.
Os donos, uns bandidos que sonegam impostos, mais uma vez sabotando o país em prol dos seus lucros exorbitantes. O que é essa dona da Daslu? Deveria ser motivo de vergonha pras socialáites e patricinhas de Sampa, que em vez disso acham bonito e continuam a comprar lá.
Isso é indicativo da moral da, como diz Millôr, "zelite": diante de todo esse escândalo, ao invés de repelir os consumidores a loja continua a ser símbolo de luxo e status para quem lá segue comprando - o que por si só já é ridículo, luxo e status, mas isso já é outro assunto.
As pessoas não param para pensar nem por um segundo! Nem disfarçam que não se importam com a corrupção ou que a própria fortuna do papai muito provavelmente é fruto dela. Passa longe do vácuo desses cérebros que um país desigual e desumano é pior pra se viver ainda que você seja bilionário! Preferem repetir que nos EUA isso é melhor, na Europa aquilo é melhor.
Se é verdade o que li outro dia, que "a inteligência é uma característica humana e se manifesta mesmo nos humanos mais burros", começo a achar que tem muito bicho disfarçado de ser humano com calça Diesel, bolsa Gucci e maquiagem MAC por aí.

Wednesday, December 13, 2006

Zé, Caballero

Isso que é cabra-macho sim senhor!
Sem as frescuras cada vez mais usuais entre os homens.
Posso estar enganadíssima, mas tenho pra mim que esse homem gosta mesmo de mulher.
Se não gostar, pelo menos sabe cantar que gosta muito bem, o que o torna uma figura irresistível em cima do palco: eu levava pra casa!

PS: Zeca, ensine esses meninos que não adianta ser só lindo e também que não precisa.

Salão de beleza, Zeca Baleiro

Se ela se penteia eu não sei
Se ela usa maquilagem eu não sei
Se aquela mulher é vaidosa eu não sei

Vem você me dizer que vai a um salão de beleza
Fazer permanente massagem rinsagem
Reflexo e outras cositas más

Baby você não precisa de um salão de beleza
Há menos beleza num salão de beleza
A sua beleza é bem maior do que qualquer beleza de qualquer salão

Mundo velho e decadente mundo
Ainda não aprendeu a admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro puro do engano da imperfeição

Friday, December 08, 2006

Encontro de Natal

Bom saber que algumas coisas nunca mudam: narrações detalhadas de arrepiar os cabelos! Carinho e sintonia, muita risada. Problemas imensos discretamente compartilhados; isso é pena não ter mudado, mas há de mudar!

Bom saber que algumas coisas mudam: a barriguinha saliente da amiga mais magrinha! Planos de felicidade a curto, médio e longo prazo. E hão de dar certo! E hão de durar para sempre: a felicidade e a amizade!

Wednesday, December 06, 2006

Minha parte em ficha de flíper!

Terminei de mastigar o livro do Santiag(atinh)o Nazarian há alguns dias.
Para mim o mais interessante de tudo é como ele mostra - com ironia finíssima - as engrenagens que inventamos para dar sentido a nossa existência.
Como seguimos regras criadas sei-lá-quando, impostas por sei-lá-quem, sem questionar - por falta de inquietação ou puro comodismo?
Como quem as estranha causa estranhamento e se sente um estranho.
Ontem presenciei como se retroalimenta a engrenagem de uma grande corporação. Parece que trabalhar em um lugar desses é tão entediante, massacrante, imbecilizante e outros "ante", que é necessário um evento bem "ante" para tentar convencer as pessoas de que vale a pena continuar. De que elas têm valor por fazerem parte da grande corporação. E criam-se estruturas e hierarquias e reuniões para manter todos supostamente motivados. Como se as pessoas não tivessem vida lá fora e aquilo não fosse tão-somente o seu ganha-pão.
A verdade é que a estrutura tem o efeito contrário à eficiência esperada: tudo dividido em departamentos faz com que ninguém tenha acesso a informação nenhuma; quem está lá em cima nem sabe dos problemas dos trabalhadores e de como haveria soluções muito mais simples e satisfatórias para eles e para a própria empresa. Os trabalhadores não fazem a mínima idéia de seu destino próximo ou de quem o decide. E quem está no meio: os famigerados gerentes - não passam informação, seja por orgulho, por medo de ser notado, por estupidez ou sadismo.
As hierarquias criadas para premiar só fazem a maioria não premiada sentir-se injustiçada e desmotivada.
E, finalmente, as reuniões e mais reuniões como essas de ontem, completamente inúteis para o trabalho a ser feito, palavras vazias jogadas para mentes dispersas. Tudo isso poderia ser revertido em melhores salários e condições de trabalho, o que motivaria muito mais! Quem quer um palito de marshmallow no Dia das Crianças? Minha parte em ficha de flíper, por favor?
Essa engrenagem corporativa, porém, assim como a organização dos ratos - vejam bem: RATOS - e a Universidade narradas por Santiago, é retroalimentada por aqueles que dela se beneficiam: os executivos. Eles que ficam lá, palestrando aos cordeirinhos, todos muito espirituosos e inteligentes e carismáticos, tropeçando milimetricamente em anglicismos enquanto inflam seus egos já crescidos - por isso as salas de conferência espaçosas! É como o Congresso votando somente em leis que beneficiam os próprios parlamentares. Já repararam que, em plena era da transmissão de dados remota e imediata, as empresas continuam investindo rios de dinheiro em viagens? Congressos e reuniões boladas pelos próprios executivos para... eles mesmos! Tudo inútil e despropositado, para usar de eufemismos.
Sei que estou sendo repetitiva, que tudo isso já foi explorado pelos nossos dilberts, mas não resisti.

Tuesday, December 05, 2006

Queria ser daquelas pessoas que, quando estão chateadas, se atiram em uma atividade, como cozinhar várias delícias, escrever um romance, arrumar os armários, fazer ginástica todo dia, fabricar velas.
Qualquer coisa.
Mas não: se normalmente eu já sou improdutiva, triste eu fico imprestável.