Diario de una Gallega

Tuesday, October 03, 2006

Fui feliz até os 6 anos

Dizem que os avós estragam as crianças! As minhas aprontavam cada uma que devia deixar meus pais de cabelo em pé.
Minha avó materna dava chicletes e coca, terminantemente proibidos, pra minha irmã. Engraçado que ela nem gosta de chicletes hoje. Já eu que nem ganhei tantos assim, pelo contrário, foi um hábito bem reprimido pelos meus pais, sou fã até hoje. Se bem que de coca ela continua gostando, já eu prefiro guaraná.
Outra coisa que minha avó fazia era liberar um aperitivo (alcoólico!) para os netos antes do almoço. Claro que só quando já éramos maiorzinhos, mas ainda crianças.
Se bem que a bebidinha sempre foi liberada em família, sorte que ninguém tinha propensão ao alcoolismo. Meus avós por parte de pai sempre tinham vinho à mesa e meu pai também me deixava bicar a espuminha da cerveja, que eu adorava!
Na casa da avó dos chicletes tinha uma caixa de bijuterias e eu podia passar batom, maquiagem, me enfeitar toda. Ficava horas brincando com os badulaques. Imagino minha mãe limpando minha cara depois, com aqueles batons vermelhíssimos!
E não posso deixar de mencionar o gosto duvidoso por romances chamados “água-com-açúcar” que ela tinha e passou pra minha irmã.
Às vezes, perambulando insone pela casa escura, não posso deixar de lembrar das madrugadas passadas na cozinha com minha outra avó. Ela só ia pra cama lá pelas duas e eu podia ficar acordada com ela, conversando, comendo Ovomaltine de colher. A casa toda dormindo, a cidade lá longe apagada (a casa deles é afastada, uma chácara com gato, cachorro, galinha, jabuticabeira em plena selva de pedra).
Detalhe que ela e meu avô dormiam em quartos separados, não sei se por algum hábito da terrinha ou se ele roncava muito, mais provável. Moderno isso, fala a verdade?
É provável que eu tenha puxado dela esse meu relógio interno, porque adoro dormir tarde. Só que a dona Amélia era mulher de verdade, pulava da cama cedo pra cuidar dos afazeres, já a neta vive atrasada porque perdeu a hora. Se é hereditário ou pura força do hábito, não sei, mas ela com certeza me ensinou o prazer de ficar acordada até tarde, com a casa na maior calma só pra mim. Aquela sensação de curtir um momento só meu e sem ninguém saber. E a modernidade de quartos separados, então? Acabei virando uma adulta notívaga que adora morar sozinha!

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Herança tb é feita de pequenos hábitos, hihihihi Beijo!

8:19 pm  
Blogger Dani said...

Nossa, Gabi, adorei o texto... Parabéns, viu?

8:50 am  

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