Dálias negras
Feriado bem hispânico esse. E a conexão SP-Miami sempre rendendo boa música e muita, mas muita risada. Será que os fãs de música latina são sempre meio "locos"? Não olhem pra mim!
Revi Dot the i com o Gaelito, que está aqui para a Mostra de Cinema ou, como disse a Ro, respirando esse mesmo ar poluído que nós! Vou revirar esta cidade em busca desse "hombre"! Revi com ela, que dormiu aqui em casa, almoçou aqui, tomamos um vinho argentino gostosinho, tudo ótimo!
Ontem assisti Dália Negra no Unibanco. Deu pra entender mais ou menos a nossa trajetória, desde os primórdios feministas até hoje. Se para se igualar aos homens um dos primeiros passos das mulheres foi adotar a promiscuidade deles, não é à toa que, pós-revolução sexual, culminamos no estilo de vida "Sex and the City" de hoje.
Isso não dá um nó só nas cabeças masculinas, não, na nossa também! Até que ponto isso foi bem aceito por nós, mulheres, e pela própria sociedade? Até que ponto uma mulher é mesmo bem-resolvida com sua independência sexual e emocional? Já conheci muita mulher que deixa qualquer homem no chinelo no quesito liberdade sexual, mas muitas das que eu conheço não passam de românticas incuráveis, mesmo que enrustidas, cujo assunto predileto continua sendo: e-les!
Embora muitas sejam avessas ao matrimônio e defendam que, teoricamente, um relacionamento aberto é a melhor solução, na prática não é bem assim: o sonho do amor romântico, avassalador, apaixonado persiste. O sonho de encontrar o príncipe encantado continua velado e vem à tona a cada vez que você conhece um homem, mesmo nas situações mais estapafúrdias, puramente eróticas ou improváveis.
Acredito que a maioria dos casamentos termine por culpa da exigência de monogamia. As pressões alheias ao relacionamento a dois empurram na direção de uma vida mais convencional. Além disso, os homens não são bobos e a maioria (diz que) é favorável à monogamia, e às casadas só resta passar a vida infelizes, reprimindo todo e qualquer impulso extraconjugal, ou entrar em parafuso porque traíram, ou simplesmente porque quiseram trair, e acabam se separando.
É impossível em anos da sua vida não aparecer ninguém que desperte sua atração de maneira fulminante. O problema é que isso está longe de ser uma questão bem-resolvida entre as mulheres, como, desculpem, garotas, o é entre os homens. Pelo menos as da minha geração.
Por outro lado, vejo as garotas de gerações posteriores à minha exagerando na dose, sendo mais homens que eles, só não sei se isso é verdadeiro e inerente ou se estão se torturando, mentindo para si mesmas para bancar uma pose, mas tenho minhas desconfianças já que o assunto predileto destas continua sendo o mesmo, eles, eles, eles. Isso não seria um indício de que continuamos querendo agradá-los acima de tudo? Não que eu seja contra agradar os homens, que fique claro, mas acima de tudo?!
Para acabar com essa guerra dos sexos definitivamente, não adianta só as mulheres terem feito uma revolução dos costumes e ocupado todos os postos da sociedade, como era de nosso direito. Cada mulher agora precisa se aceitar como tal, o sea, hay que endurecer sin perder la ternura, chicas!
Além do mais, é chegada a hora da revolução masculina (será que os metrossexuais são as feministas deles?). Porque para a revolução definitiva é preciso que toda a sociedade se transforme, de que adianta só metade dela? As pressões do outro lado continuarão torturando as mulheres, culpando-as por sentir atração por alguém ou por não ter apetite sexual 24x7, por não querer ter filhos ou por não estar ao menos 5 quilos abaixo do peso de um ser humano normal, ou por não ser super inteligente e bem-sucedida e não ter lido todos os clássicos e visto todos os filmes e por não dançar bem ou dirigir bem, aaargh! Chega de culpa, abaixo o pecado original! E viva a liberdade!

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