Diario de una Gallega

Tuesday, October 31, 2006

Mais um 31/10

Calma, está quase terminando! Todo mundo são e salvo até agora. No dia em que as bruxas estão soltas por aí, todo cuidado é pouco.
Quase pus fogo na casa com um ritual, mas que nada, nem chegou perto de um incêndio. Nenhum telefonema urgente por enquanto.
Tem um "trojan" querendo invadir aqui, mas por enquanto nenhum vírus nem queda de energia fatal.
Aprendam o ritual para o próximo Halloween, data em que se abre um portal de comunicação com os Deuses, portanto nossos pedidos podem ser atendidos e nossos pensamentos, ouvidos mais facilmente: escreva três pedidos em um papel e queime-o dentro de um caldeirão metálico (pode ser qualquer panela).
E que os Deuses nos protejam hoje e sempre, aqui e lá.

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A Tragédia é o que mais se assemelha, na ficção, à vida real.
Dizem que a vida imita a arte e, nesse caso, procede.
A tragédia real tem a mesma característica inevitabilidade da Tragédia.
Alguém sempre poderia impedi-la com facilidade (quase, quase não resisto a usar uma mesóclise aqui, mas hoje sem tragédias, não é?) se soubesse de antemão o porvir.
Por isso não dá para acreditar em previsões: se "o destino é inexorável", a previsão do futuro é paradoxal e impossível.

Perfección, versión: Ataque 77

Vamos a celebrar la estupidez humana,
la estupidez de todas las naciones,
a mi país y a su corte de asesinos,
cobardes, estupradores y ladrones.
Vamos a celebrar la estupidez del pueblo,
la policía y la televisión.
Vamos a celebrar nuestro gobierno
y nuestro estado que no es nación,
celebrar las juventudes sin escuela, las crianzas muertas.
Celebremos nuestra desunión.
Vamos a celebrar "eros" y "tanatos"
"persephone" y "adres".
Vamos a celebrar nuestra tristeza,
conmemorando nuestras vanidades.
Conmemoremos como idiotas
cada febrero y feriado,
todos los muertos en las calles,
los muertos por falta de hospitales.
Vamos a celebrar nuestra justicia,
la ganancia y la difamación.
Vamos a celebrar los preconceptos
y el voto de los analfabetos.
Conmemorar el agua sucia y todos los impuestos,
quemadas, mentiras y secuestros.
Nuestro castillo de cartas marcadas,
el trabajo esclavo, el pequeño universo,
toda hipocresía y toda afectación,
todo robo y toda indiferencia.
Vamos a celebrar las epidemias
y la hinchada festejando al campeón.
Vamos a celebrar el hambre
y no tener a quien oír y nadie a quien amar,
seguir alimentando las maldades.
Vamos a aplastar a un corazón.
Vamos a celebrar nuestra bandera.
Nuestro pasado del absurdo glorioso.
Todo lo gratuito y feo, todo lo que es normal.
Vamos a cantar juntos el himno nacional.
La lagrima verdadera,
vamos a celebrar nuestra nostalgia,
conmemorando nuestra soledad.
Vamos a festejar la envidia,
la intolerancia y la incomprensión.
Festejemos la violencia y olvidemos a nuestra gente
que trabajó honestamente la vida entera
y ya no tiene más derecho a nada.
Celebremos la aberración de toda nuestra falta de conciencia,
nuestro desprecio por la educación.
Celebremos el horror de todo esto con fiesta velorio y cajón.
Está todo muerto y enterrado ahora,
ya que también podemos celebrar...
la estupidez de quien cantó esta canción...
Ven mi corazón esta con prisa.
Si la esperanza está dispersa,
es la verdad que me libera,
basta de maldad y de ilusión.
Ven, amar es una puerta abierta.
Va llegando la primavera.
Nuestro futuro recomienza.
Ven que lo que viene es perfección.

Friday, October 27, 2006

Sobrar faz uma falta

Triste ir ficando.
Ver um a um partir, levando um pedacinho de mim, uns grandes, outros ínfimos, que se vão, mas ficam.
O último a sair apaga a luz!

La Tortura proibida nas academias

A exibição do clipe da canção La Tortura foi vetada em academias de ginástica de todo o mundo. A decisão foi tomada após inúmeros acidentes, como quedas da esteira e de halteres nos pés dos freqüentadores de diversos estabelecimentos. Tamanha luxúria parece não ter feito cair apenas o queixo dos assistentes. Recomenda-se também não assistir enquanto pica cebolas na cozinha, há notícias de donas-de-casa com dedos decepados.

Wednesday, October 25, 2006

As gavetas

No começo havia gavetas: alguém chegou até a comentar das gavetas em alemão, imaginem! Um dia as gavetas se foram. Alguém as levou com tudo o mais. Sobrou um colchão. Tudo o mais foi voltando. Aos poucos chegaram mais gavetas. E agora tudo o mais está indo embora de novo, mas as gavetas ainda resistem. Enquanto elas estiverem ali, tudo bem. Porque uma casa sem gavetas não pode guardar nada: fica vazia. Quando as gavetas se forem, já sabem: eu vou junto.

Tuesday, October 24, 2006

O ministério da saúde adverte

Paixão faz mal ao coração.
Provoca taquicardia, falta de ar, ansiedade, tremedeira.
Pergunto-me se as paixões platônicas são fruto da imaginação, do tédio, da sede por aventura, do romantismo; serão fruto da imaginação? Será tudo imaginação?

Sem sossego

Comecei a ler o Livro de Desassossego no fim de semana.
Prometo me controlar, mas não resisto a transcrever um trechinho aqui:
"Na minha alma ignóbil e profunda registo, dia a dia, as impressões que formam a substância externa da minha consciência de mim. (...) Isto de nada me serve, pois nada me serve de nada. Mas desapoquento-me escrevendo, como quem respira melhor sem que a doença haja passado. (...) Estas páginas são os rabiscos da minha inconsciência intelectual de mim. (...) Quando escrevo, visito-me solenemente. Tenho salas especiais, recordadas por outrem em interstícios de figuração, onde me deleito analisando o que não sinto, e me examino como a um quadro na sombra." Fernando Pessoa

Monday, October 23, 2006

Em manutenção

O ser humano requer cada vez mais manutenção! Além de tomar banho, comer e dormir todo santo dia ainda temos que passar creme, desodorante, protetor solar e cortar as unhas de vez em quando (faz bem, né?!). E o número de refeições e de copos d'água diários só aumentando!
Mulher, então, nem se fale: o banheiro acolhe um arsenal de cremes e aparelhos inacreditável! São cremes para limpar, hidratar, tonificar, condicionar, proteger a pele, lavar a calcinha no box. Secador de cabelo, pentes e escovas, touca térmica, pinça, maquiagem e curvex. Fora as horas passadas no salão de beleza: depilação, manicure, pedicure, luzes, hidratação, massagem.
Confesso que nunca fui muito chegada, sou até meio relapsa. Não vou à manicure, rôo as unhas. Pedicure nunca fiz, tenho pezinhos de anjo, ainda bem - uma coisa a menos!
Houve épocas em que fazia luzes e de uma coisa nunca consegui escapar, justamente a mais chata e dolorida, que é a depilação. No entanto, do ano passado para cá consegui me livrar de duas coisas chatas dessa manutenção toda. Posso dizer que sou praticamente uma mulher livre após o advento, em minha vida, de um aparelhinho fantástico chamado Satinelle, e da escova progressiva, não menos sensacional.
Com o Satinelle, me depilo rapidamente e quando me dá na telha, em casa! Não preciso deixar os pêlos crescerem muito, o que significa que estou sempre depilada! Chega de ficar metade do mês sem poder usar saia nem ir à piscina. Uma seção de 30 minutos de Satinelle por semana e seus problemas acabaram!
Já a escova progressiva me deixa com os cabelos razoavelmente sem volume por quase 3 meses. O procedimento é um pouco sofrido, mas bem rápido, 1 hora e meia quase sufocando e lacrimejando e... 3 meses de liberdade, sem me preocupar com a juba! Recomendo a todas as mulheres lindas e ocupadas deste mundo mudérno e exigente que é o nosso.

Thursday, October 19, 2006

You're not worth it at all

Coisa chata.
Ter que ser legal o tempo todo.
Uma distração, uma bobeada e tome!
Sorria sempre!
Às vezes eu acho que imagino coisas, será? Mas preferia meu troco em outra coisa.
É, eu gosto da Avril Lavigne, ela é tão bonitinha e suas músicas também. Pareço uma tiazona falando assim, mas a verdade é que não sou muito diferente dela toda teen na idade mental. Bom, have fun, guys:

Things I'll Never Say, Avril Lavigne

I’m tugging at my hair
I’m pulling at my clothes
I’m trying to keep my cool
I know it shows
I’m staring at my feet
My cheeks are turning red
I’m searching for the words inside my head
I’m feeling nervous
Trying to be so perfect
Cause I know you’re worth it

If I could say what I want to say
I'd say I wanna blow you away
Be with you every night
Am I squeezing you too tight?
If I could say what I want to see
I want to see you go down
On one knee
Marry me today
Yes, I’m wishing my life away
With these things I’ll never say

It don’t do me any good
It’s just a waste of time
What use is it to you
What’s on my mind?
If ain’t coming out
We’re not going anywhere
So why can’t I just tell you that I care
I’m feeling nervous
Trying to be so perfect
Cause I know you’re worth it

What's wrong with my tongue
These words keep slipping away
I stutter I stumble
Like I've got nothing to say
Yes, I'm feeling nervous
Trying to be so perfect
Cause I know you're worth it

Tuesday, October 17, 2006

Hoje

consegui acordar cedo! Que trânsito, não gostei!
Fico pensando: quando eu tiver novamente um compromisso de manhã, como vou me virar pra acordar cedo todo dia? Fiquei mal acostumada com a flexibilidade de horário que tenho hoje em dia.
E se eu tiver um filho? Como meus pais conseguiam estar a postos toda manhã pra me despachar pra escola? E minha mãe faz isso até hoje com a minha irmã, que agora acorda de madrugada para trabalhar. Quando eu trabalhava cedo não tinha coragem de acordar a pobrezinha só pra me servir um leite, mas o universo não gira em torno do meu umbigo, não é mesmo?
Bom dia!

Sunday, October 15, 2006

Dálias negras

Feriado bem hispânico esse. E a conexão SP-Miami sempre rendendo boa música e muita, mas muita risada. Será que os fãs de música latina são sempre meio "locos"? Não olhem pra mim!
Revi Dot the i com o Gaelito, que está aqui para a Mostra de Cinema ou, como disse a Ro, respirando esse mesmo ar poluído que nós! Vou revirar esta cidade em busca desse "hombre"! Revi com ela, que dormiu aqui em casa, almoçou aqui, tomamos um vinho argentino gostosinho, tudo ótimo!
Ontem assisti Dália Negra no Unibanco. Deu pra entender mais ou menos a nossa trajetória, desde os primórdios feministas até hoje. Se para se igualar aos homens um dos primeiros passos das mulheres foi adotar a promiscuidade deles, não é à toa que, pós-revolução sexual, culminamos no estilo de vida "Sex and the City" de hoje.
Isso não dá um nó só nas cabeças masculinas, não, na nossa também! Até que ponto isso foi bem aceito por nós, mulheres, e pela própria sociedade? Até que ponto uma mulher é mesmo bem-resolvida com sua independência sexual e emocional? Já conheci muita mulher que deixa qualquer homem no chinelo no quesito liberdade sexual, mas muitas das que eu conheço não passam de românticas incuráveis, mesmo que enrustidas, cujo assunto predileto continua sendo: e-les!
Embora muitas sejam avessas ao matrimônio e defendam que, teoricamente, um relacionamento aberto é a melhor solução, na prática não é bem assim: o sonho do amor romântico, avassalador, apaixonado persiste. O sonho de encontrar o príncipe encantado continua velado e vem à tona a cada vez que você conhece um homem, mesmo nas situações mais estapafúrdias, puramente eróticas ou improváveis.
Acredito que a maioria dos casamentos termine por culpa da exigência de monogamia. As pressões alheias ao relacionamento a dois empurram na direção de uma vida mais convencional. Além disso, os homens não são bobos e a maioria (diz que) é favorável à monogamia, e às casadas só resta passar a vida infelizes, reprimindo todo e qualquer impulso extraconjugal, ou entrar em parafuso porque traíram, ou simplesmente porque quiseram trair, e acabam se separando.
É impossível em anos da sua vida não aparecer ninguém que desperte sua atração de maneira fulminante. O problema é que isso está longe de ser uma questão bem-resolvida entre as mulheres, como, desculpem, garotas, o é entre os homens. Pelo menos as da minha geração.
Por outro lado, vejo as garotas de gerações posteriores à minha exagerando na dose, sendo mais homens que eles, só não sei se isso é verdadeiro e inerente ou se estão se torturando, mentindo para si mesmas para bancar uma pose, mas tenho minhas desconfianças já que o assunto predileto destas continua sendo o mesmo, eles, eles, eles. Isso não seria um indício de que continuamos querendo agradá-los acima de tudo? Não que eu seja contra agradar os homens, que fique claro, mas acima de tudo?!
Para acabar com essa guerra dos sexos definitivamente, não adianta só as mulheres terem feito uma revolução dos costumes e ocupado todos os postos da sociedade, como era de nosso direito. Cada mulher agora precisa se aceitar como tal, o sea, hay que endurecer sin perder la ternura, chicas!
Além do mais, é chegada a hora da revolução masculina (será que os metrossexuais são as feministas deles?). Porque para a revolução definitiva é preciso que toda a sociedade se transforme, de que adianta só metade dela? As pressões do outro lado continuarão torturando as mulheres, culpando-as por sentir atração por alguém ou por não ter apetite sexual 24x7, por não querer ter filhos ou por não estar ao menos 5 quilos abaixo do peso de um ser humano normal, ou por não ser super inteligente e bem-sucedida e não ter lido todos os clássicos e visto todos os filmes e por não dançar bem ou dirigir bem, aaargh! Chega de culpa, abaixo o pecado original! E viva a liberdade!

Monday, October 09, 2006

Hipnotizante

Sábado, show do Chico Buarque: uma das garotas do site 02 Neurônio disse que o Chico cantando a fazia chorar sem parar. Tá, não cheguei a tanto, mas tenho que confessar que chorei um pouquinho, sim. Eu não conheço grande parte de sua obra, só algumas partes de que gosto muito, portanto, muitas das músicas eu não conhecia, mas o Chico é dono de uma dicção tão perfeita - o que me surpreendeu já que ele tem forte sotaque carioca, mas ele canta como quem declama - que nos faz beber cada palavra sua, como se ele fosse a sua própria poesia em pessoa, e o fato de estar ali a fizesse incorporar-se em nós. Faltou samba, pois pra mim seus sambas são imbatíveis, e sobrou romantismo, mas ali, bebendo suas palavras e sua imagem, percebi porque ele enlouquece as mulheres com suas canções, porque ele adota a persona feminina com tanta propriedade e, afinal, entendi por que dizem que o Chico, ah, o Chico é que entende as mulheres!
Mesmo sem muitos improvisos, aflitivamente tímido e eleitor do Lula, adorei!

Friday, October 06, 2006

Na rua, na chuva, na fazenda, Kid Abelha

Não estou disposto
A esquecer seu rosto de vez
E acho que é tão normal
Dizem que sou louco
Por eu ter um gosto assim
Gostar de quem não gosta de mim
Jogue suas mãos para o céu
E agradeça se acaso tiver
Alguém que você gostaria que
Estivesse sempre com você
Na rua, na chuva, na fazenda
Ou numa casinha de sapê

Tuesday, October 03, 2006

Fui feliz até os 6 anos

Dizem que os avós estragam as crianças! As minhas aprontavam cada uma que devia deixar meus pais de cabelo em pé.
Minha avó materna dava chicletes e coca, terminantemente proibidos, pra minha irmã. Engraçado que ela nem gosta de chicletes hoje. Já eu que nem ganhei tantos assim, pelo contrário, foi um hábito bem reprimido pelos meus pais, sou fã até hoje. Se bem que de coca ela continua gostando, já eu prefiro guaraná.
Outra coisa que minha avó fazia era liberar um aperitivo (alcoólico!) para os netos antes do almoço. Claro que só quando já éramos maiorzinhos, mas ainda crianças.
Se bem que a bebidinha sempre foi liberada em família, sorte que ninguém tinha propensão ao alcoolismo. Meus avós por parte de pai sempre tinham vinho à mesa e meu pai também me deixava bicar a espuminha da cerveja, que eu adorava!
Na casa da avó dos chicletes tinha uma caixa de bijuterias e eu podia passar batom, maquiagem, me enfeitar toda. Ficava horas brincando com os badulaques. Imagino minha mãe limpando minha cara depois, com aqueles batons vermelhíssimos!
E não posso deixar de mencionar o gosto duvidoso por romances chamados “água-com-açúcar” que ela tinha e passou pra minha irmã.
Às vezes, perambulando insone pela casa escura, não posso deixar de lembrar das madrugadas passadas na cozinha com minha outra avó. Ela só ia pra cama lá pelas duas e eu podia ficar acordada com ela, conversando, comendo Ovomaltine de colher. A casa toda dormindo, a cidade lá longe apagada (a casa deles é afastada, uma chácara com gato, cachorro, galinha, jabuticabeira em plena selva de pedra).
Detalhe que ela e meu avô dormiam em quartos separados, não sei se por algum hábito da terrinha ou se ele roncava muito, mais provável. Moderno isso, fala a verdade?
É provável que eu tenha puxado dela esse meu relógio interno, porque adoro dormir tarde. Só que a dona Amélia era mulher de verdade, pulava da cama cedo pra cuidar dos afazeres, já a neta vive atrasada porque perdeu a hora. Se é hereditário ou pura força do hábito, não sei, mas ela com certeza me ensinou o prazer de ficar acordada até tarde, com a casa na maior calma só pra mim. Aquela sensação de curtir um momento só meu e sem ninguém saber. E a modernidade de quartos separados, então? Acabei virando uma adulta notívaga que adora morar sozinha!

Monday, October 02, 2006

Boa ação do fim de semana

Salvei alguém de um pesadelo!
Porque até insônia e sono leve podem ter utilidade.