Diario de una Gallega

Saturday, September 30, 2006

Domingo

O pior do Brasil é o brasileiro: ralé de Portugal disposta unicamente a roubar, tirar proveito, explorar na pior acepção do verbo. Nação forjada por invasores, escravos e imigrantes, podia ser pior?
E o pior do brasileiro é a falta de politização. Cidadania também passa pela política, ou você achou que só tinha direitos?
Eleição não é brincadeira, não é Carnaval nem Copa do Mundo. Acorde!
Leia. Informe-se sempre! Participe. Apaixone-se por sua(s) causa(s). E decida seu voto como se deve: com seriedade.

Cidadão: indivíduo que, como membro de um Estado, usufrui de direitos civis e políticos garantidos pelo mesmo Estado e desempenha os deveres que, nesta condição, lhe são atribuídos, Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.

Para ilustrar: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u84481.shtml

Thursday, September 28, 2006

Reencontrar um amigo depois de anos e ver que continuamos amigos é bom demais. E alguém que não nos tem acompanhado no dia-a-dia tem uma visão bem diferente dos acontecimentos. Pela primeira vez uma pessoa se deu conta do quanto a transição que vem aí poderá ser difícil para mim. Foi engraçado ouvir alguém com ar chocado me indagar como assim estou tão tranqüila! Eu sempre aparento tranqüilidade, mas só quem me conhece muuito bem sabe disso. Acontece também que essa transição foi muito lenta! Claro que só quando vai chegando mais perto é que a gente finalmente acredita - mas sempre com aquele fiozinho de esperança patética. Sei que a raiva e a frustração vão demorar a passar, que eu vou ver um monte de gente mais sonsa do que eu se dando bem. Já começo a observar não é de hoje o movimento. Aliás, há muitas frustrações envolvidas nessa história para mim. O que é que eu posso fazer - não muito, quase nada. Mas ontem, depois de recusar quatro convites para o cinema, pensei: o que ainda estou fazendo aqui? Será que já não estou em outro ritmo completamente diferente e já deveria ter ido ou pelo menos estar indo? O que ainda me prende? Medo, dúvida, costume. Uma vida de coisas inacabadas que ficarão pra trás, mas nada tão radical como parece. Estou escrevendo aqui pra ver se acho uma resposta. Não achei! Mas também escrevo pra dizer obrigada, amigo, pelas cervejas e pela compreensão do que se passa aqui dentro dessa cabecinha. Você entendeu tudo sem querer e nem perceber! Valeu!
E bom fim de semana a todos!
Votem com responsabilidade!

Wednesday, September 27, 2006

How Am I Not Myself 2

Incenso Fosse Música, Paulo Leminsk

"isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além"

Monday, September 25, 2006

Fazer o bem sem olhar a quem

Não sou do tipo que acha toda ajuda um ato egoísta, que só ajudamos alguém pra nos sentirmos melhor ou menos culpados. Acredito na solidariedade e na generosidade, afinal, se fosse cada um por si, bem, o péssimo resultado disso nós já vemos todo dia nesse mundo que anda cada vez mais individualista. Pode me chamar de ingênua, mas quando vejo alguém que dedica sua vida, ou pelo menos parte dela, a ajudar o próximo, não consigo pensar em egoísmo, não posso deixar de sentir admiração. E nem me importam os motivos. Quem foi que disse que, se você um dia ajudou uma pessoa, ajudou toda a humanidade?
O que me intriga é ver gente que não é capaz de ao menos indignar-se com uma injustiça cometida bem ao seu lado, ao alcance de seus olhos e ouvidos, braços e boca... querendo de repente fazer o bem. Na minha opinião, é algo que foge ao perfil e padrão de conduta de algumas pessoas. Não sei, mas me cheira a simples exibição politicamente correta.
Não digo que todo mundo deva estender a mão ou agir de forma impensada pra sair defendendo os fracos e oprimidos; sei que cada um tem que defender o seu nesse dia-a-dia corrido e complicado que é o nosso, mas... se quem convive ao seu lado não é digno da mínima atenção, se você passa os dias em cima do muro incapaz de se posicionar, de se enraivecer, de deixar de ser mesquinho ou se engrandecer, como me fazer crer sincera essa gana de ajudar quem se encontra muito mais distante? Talvez porque esse alguém seja muito necessitado e mil vezes mais indefeso? Ou possível de ser ajudado? Pode ser. Essas são boas desculpas para tanta hipocrisia. Só que uma desculpa não passa disso.

"Si usted es capaz de temblar de indignación cada vez que se comete una injusticia en el mundo, somos compañeros"
Che Guevara

Fim de semana sem mala, com garoa, frio e tudo.
Com sol e chuva, bar e shopping center!
Tristezas, só ficcionais.
Pena que passa rápido... mas a semana também vai voar: e toca pra mala já, já!

Friday, September 22, 2006

Eclipse

Dia sem sol
Noite sem chuva
Seca
Se eu nunca tivesse visto o sol
Não sentiria falta
Se nunca tivesse tomado chuva
Não saberia o quanto é bom
Quando o sol se for
E a chuva parar de cair
Vou precisar me acostumar

Wednesday, September 20, 2006

Quero mudar!

Quero um lugar onde médico e remédio estejam incluídos nos impostos que eu pago
Onde meu salário dê para o aluguel e o lazer
E eu não sinta medo diariamente
Um lugar sem armas nem bombas
Com gente de todo o mundo convivendo em harmonia
Com policiais lindos e prestativos em suas fardas
Onde eu possa ir ao estádio ver meu time jogar
Com estações de metrô por todo lado e ônibus e táxis a preços honestos
Sem buracos nas ruas e com passagem pra cadeiras de rodas nas calçadas
Com telefones públicos funcionais e tarifas baixas de celular
Céu azul e rios limpos
E pontes que ganham prêmios de arquitetura e viram cartão-postal
Onde eu possa dormir ao sol na grama sem me roubarem o iPod ou a mochila
E haja um parque ou praça em qualquer bairro onde eu resolva morar
E praias despoluídas, mesmo que nem tão bonitas, só pra olhar o mar
Uma mistura do melhor de Habana e New York, Paris e São Paulo, London e Barcelona
Onde eu não seja obrigada a votar, mas queira
Por saber que sou cidadã

Monday, September 18, 2006

Londinium

O céu está lindo nesse anoitecer aqui da "minha" janela. Uma chuvinha faz mesmo toda a diferença!
E tem gente que fala mal de Londres porque lá chove demais. Pois deve ser exatamente por isso que aquele céu é lindo demais, azul demais, alto demais.
Comete tamanha bobagem geralmente quem nunca teve a coragem de pôr os pés lá - típico de ignorantes falar do que não conhecem. Sim, porque é preciso coragem pra percorrer aquela cidade! Não é um lugar para quem teme a si mesmo, porque ali o que há de mais oculto vem à tona. A cidade das sombras, dos mistérios, dos subterrâneos! Simplesmente mágica, para o bem ou para o mal. Vai depender da sorte e do destino de cada um.

Sou de lugar nenhum

Dia de me cuidar, cuidar dos cabelos, do corpo, da casa, relaxar, ler. É, pra quem mora na mala é assim, tudo ao contrário. Se as pessoas normais se cuidam e descansam no sábado ou domingo, eu não, afinal Eu Moro na Mala* e, de vez em quando, ainda invento de trabalhar no fim de semana, incluindo o laptop na mala-residência.
Fim de semana é pra fazer tudo ao mesmo tempo agora que não posso fazer durante a semana. E vice-versa!
Por isso hoje vai ser meu dia de mulherzinha. Hoje vou jantar qualquer bobagem pra depois poder me entupir de pipoca com chazinho pra espantar o frio do apartamento empoeirado. Talvez até me anime a tirar o pó, quem sabe? Até pode ser que eu desfaça a mala, nossa! Guardá-la nunca, claro, nem pensar, fim de semana que vem taí! Mas pode ser que eu guarde as roupas que lavei no fim de semana e trouxe na mala. De qualquer forma, preciso tirar o computador para enviar o trabalho do fim de semana.
Acho que encontrei o motivo por que, misteriosamente, apesar de viajar mais de 100 km pra chegar ao trabalho na segunda-feira, é o dia em que eu chego mais cedo! É que acabo indo dormir tão tarde nessas de chazinho, lavar cabelo, cuidar da casa... que na terça perco a hora, saio tarde do trabalho, durmo tarde de novo, e assim sucessivamente pelo resto da semana!

*Nome de uma comunidade no orkut com a qual me identifiquei de imediato... não sei porquê! Uma ótima semana a todos!

Friday, September 15, 2006

Tudo bem, Lulu Santos

Já não tenho dedos pra contar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei
Tanta farpa tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é "so easy" se viver

Hoje eu não consigo mais me lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tanto bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
Quase nunca a vida é um balão

Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no meu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem

Tuesday, September 12, 2006

Pós-feriado


Depois desses dias cheios de altos e baixos seguidos... minha amiga me vem causar taquicardia, lágrimas e uns pares de sentimentos todos misturados.
Não que chegue perto do que ela deve estar sentindo... mas parece que algumas coisas a gente acaba sentindo junto, só que em escala bem reduzida.
Ai se meu coraçãozinho falasse!

Algumas pessoas podem estragar seu dia
Outras estragam a sua vida

Monday, September 11, 2006

Independência ou... tchau!

ou

Mea culpa de um 7 de setembro agridoce

Eu gosto da noite como gosto dos mistérios. E nada mais misterioso do que ela. Acho linda a Lua, gatos, corujas. Adoro!
Talvez por isso eu goste de ter segredos. Que graça tem, afinal, uma pessoa que diz a que veio logo de cara, conta tudo, não deixa nada pra amanhã? Sherazade há muito mais de mil e uma noites já nos ensinara o poder do suspense. E por esse fascínio acho que ninguém me conhece por inteiro, de verdade. Cada amigo ou amor conhece alguns pedaços da minha alma que eu lhe deixo entrever. Ainda porque, se as pessoas soubessem tudo o que penso, sinto e já fiz na minha vida, duvido que não seria julgada e, por muitos, condenada.
Só que quando eu digo que queria ser diferente, não minto. Em muitas ocasiões eu minto, por covardia ou simplesmente por preguiça de achar uma solução melhor. Mas não quando digo: queria ser melhor. Eu QUERO ser melhor. E eu tento. Apesar de muitos me acusarem de não tentar. Mas por que eu deveria tentar? Pelos mesmos que me acusam? Alguns valem a pena, outros não. Sei que vale a pena mudar por mim mesma, por meu bem-estar, sem me agredir demais (porque tem coisa que não muda nunca mesmo, talvez só no divã!).
Eu sou a primeira a apontar minhas falhas e me arrepender de meus erros, por isso tantas vezes eu me arrependo até de ser quem eu sou. Seria tão mais fácil ser de outro jeito. Mas acerta o chavão que diz que a mudança deve vir de dentro. Você pode até motivar alguém a mudar, mas forçá-lo, jamais. Quanto mais se força, menos se muda. E eu sou teimosa. Pego birra. Sinto ciúme. Posso ser fria, um pouco reclusa tendendo à esquisitice e muito volúvel. Sou covarde e deveras intolerante. Detesto normas e convenções, abomino autoridade. Só me dou bem com quem eu quero. Difícil me convencer a gostar de quem não gosto.
Será que só eu sou assim?
Meus defeitos dizem respeito a mim, pois uma qualidade eu tenho: respeito a privacidade alheia e faço tudo ao meu alcance para que eles não incomodem ninguém. Exijo respeito. Exijo espaço para respirar, relaxar, trabalhar, amar. Não só exijo como faço por merecer. Batalho a cada dia pela minha independência financeira, ah, esqueci de citar, sou orgulhosa, sim: não gosto de dever favor a ninguém, pois a cobrança vem de avião e disso eu sei muito bem. Quero ser feliz do meu jeito e quem tentar impedir só ganhará meu desafeto. Ah, e esqueci de falar: eu guardo ressentimentos.

12 x 8, Ale Sanz

Hay gente que cuando va a dar su opinión
se anuncia con un redoble
y esperan que le agradezcas que te iluminen
en un derroche de bondad
nos dicen lo bueno y lo malo
pa’ que no caigamos en el error
de hacernos preguntas, pensar o dudar,
o salirnos de algún renglón

Le pido por favor, no mamá, mamá!
no sigan informando a este pobre corazón
mi ritmo y a mi son, me lleva la intuición
porque no apagas la tele un ratito
y escuchamos a Camarón

Perdona, pero la expresión
no tiene un problema de libertad
que tiene un problema de odio,
intereses, dinero, color… problemas con la verdad
pero a ustedes, les digo
a los listos que saben de ritmo, que saben de “son”
no esperen que hagamos los coros
mientras que nos cantan: “we are the world”

no digo yo que no, pero mamá, mamá!
no sigan informando a este pobre corazón
que ritmo ni que son, me lleva la intuición
como a los niños que van a cantar
me gusta mucho Camarón

Piénsalo bien, antes de quererme…
piénsalo mejor,
no quiero jugar contigo
piénsalo bien, antes que sea tarde
piénsalo mejor,
no seas tan mala conmigo

Piénsalo bien, antes de quererme…
piénsalo mejor,
no quiero jugar contigo
piénsalo bien, antes que sea tarde
mira que de ritmo andamos más bien cortitos

… y quieren que yo les explique
cómo se deben usar las noches,
y piensan que todo el mundo
quiere subirse con ellos al coche… leré

se aplican pa’ que les den
una mentadita en rolling stone,
y acaban en los titulares
del “papelillo del corazón”

ni son tos’ los que están, ni están tos’ los que son,
no sigan provocando a este pobre corazón
qué ritmo ni que son, me lleva la intuición
perdona si te ignoro
pero es que no escucho
nada de lo que sale de tu boca

Wednesday, September 06, 2006

Conversa pra boi dormir

- Eu gostaria de ter aquilo que você tem. Deve ser ótimo!
- Ah, mas espere, tudo tem dois lados: eu preciso me preocupar o tempo todo com tudo que tenho, cuidar do que tenho, dá um trabalhão, muita responsabilidade, obrigações. Você não tem, mas é livre.
- Quer dizer então que se você pudesse trocaria de lugar comigo?
- Não, não é beeeem assim! Você acha que eu ia querer isso? Eu só trocaria de lugar com você quando me conviesse.

Mesmice

A perfeição enjôa!
Ó, perfeição, caia do salto, se atrase, chore
Se suje, se descabele, se amasse
Se ao menos você amasse
Se ao menos odiasse
Erre as vírgulas, as crases, os pronomes
Fure o pneu, borre o batom, queime a comida
Mate as plantas de sede, passe fome
Esqueça seus modestos dotes por um dia
Tome uma porrada da vida
E prometo tentar não enjoar de você!

Tuesday, September 05, 2006

Pra Rosinha

Pra você agora a letra completa e o link pra escutar:

http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/player.php?

Aprendiz de feiticeiro, Itamar Assumpção

Aprendi quando criança que além de tudo
Balança
Esse nosso mundo cão
Aprendi que quem não dança, já dançou na sua infância
Senão rock foi baião
Aprendi da importância de não dar muita importância
Ficar com os meus pés no chão
Aprendi que viver cansa, mesmo vivendo na França
Mesmo indo de avião
Aprendi que a desavença é por que sempre
Alguém pensa
Que ninguém mais tem razão

Aprendiz de feiticeiro
Aprendiz de feiticeiro

Aprendi que tudo passa, tomando chá ou cachaça
Tomando champanhe ou não
Aprendi que a descrença, a desconfiança e a doença
São partes da maldição
Aprendi que a ignorância, a sordidez e a ganância
São lavas desse vulcão
Aprendi que essa fumaça a minha janela embaça
Por fora, por dentro, não

Aprendi tetra depressa que a taça do mundo é nossa
E que São Paulo é meu sertão

Monday, September 04, 2006

Mind the Gap

É impressão ou esses intervalos estão ficando cada vez mais curtos?
Não há transição que não tenha fim - um dia o outro passará a ser mais curto que um, e a balança, pendendo, finalmente equilibrará?
E a semana ainda mais curta já começa cansando e ao mesmo tempo dando ânimo para continuar - ou parar de vez?
Serei sempre assim, estrangeiro nos meus domínios?

Friday, September 01, 2006

O mundo

Príncipes ficando carecas
Bocas lindas - e nobres - dando beijos meia-boca
Cinderelas que não se casam no final
Rainhas que não querem herdeiros

Este mundo está virado